Caminhos da Biotecnologia: Sónia Carneiro, Head of Strain Design na SilicoLife

Sónia Carneiro, Head of Strain Design na SilicoLife, explica como, desde 2012, tem usado a biologia de sistemas para transformar microrganismos em “mini-fábricas” que produzem ingredientes valiosos para suplementos e outros setores. Neste destaque, recorda o percurso desde a licenciatura em Engenharia Biotecnológica até ao doutoramento, conta como ajudou a empresa a mudar de prestadora de serviços para criadora de produtos próprios e revela o que a move no seu trabalho.

Qual a sua função na empresa?

Desde 2012, trabalho na SilicoLife em projetos multidisciplinares que envolvem empresas dos setores da biotecnologia industrial, indústria química, ingredientes, cosmética e polímeros. O meu trabalho centra-se em utilizar biologia de sistemas para melhorar os processos biotecnológicos. Por exemplo, desenvolvemos modelos matemáticos que preveem o comportamento metabólico dos microrganismos e que nos permitem desenhar organismos geneticamente modificados que funcionam como fábricas celulares eficientes, contribuindo para uma melhor produção de ingredientes de alto valor acrescentado. Atualmente, sou Head of Strain Design e lidero uma equipa responsável por criar soluções para a bioprodução de compostos de interesse através de processos biológicos, analisando, avaliando e implementando estes bioprocessos.

Como se interessou por esta área?

A minha formação em Engenharia Biotecnológica despertou-me o interesse por processos sustentáveis. Ao constatar a crescente necessidade de soluções inovadoras na área dos biocompostos, decidi aprofundar os meus conhecimentos. Assim, em 2006, iniciei um doutoramento em Engenharia Química e Biológica, focado em Biologia de Sistemas, visando melhorar a forma como se produzem moléculas em bactérias. Desde então, tenho trabalhado em métodos mais eficientes para otimizar bioprocessos, nomeadamente através do estudo racional dos mecanismos biológicos.

Um desafio que a empresa enfrentou e como contribuiu para o resolver?

A transformação recente da SilicoLife, de empresa prestadora de serviços para empresa com projetos próprios focados na produção de ingredientes para suplementos, foi um marco que impactou profundamente a estrutura organizacional: contratamos mais pessoas, criámos departamentos especializados e reajustamos a forma de trabalho e colaboração entre equipas. Para superar este desafio, foi fundamental a definição clara da cultura empresarial – a visão e os valores que nos guiam, assim como a aprendizagem de uma nova cultura de comunicação. Contribuí para esse processo ao ajudar a melhorar a comunicação entre departamentos e ao implementar práticas de gestão que facilitassem a transição. Essas iniciativas ajudaram-nos a integrar os novos processos e a preparar a equipa para os desafios e oportunidades que surgiram, culminando numa transição bem-sucedida para um modelo mais ambicioso e focado em projetos próprios.

O que a move na SilicoLife?

Desde que entrei na SilicoLife, sinto-me verdadeiramente motivada ao ver, dia após dia, os resultados do trabalho que fazemos juntos. Adoro aprender e desenvolver-me continuamente – quer seja através da implementação de novas abordagens, quer seja resolvendo os desafios que vão surgindo. Por exemplo, quando inovámos na biossíntese de compostos de interesse ou desenvolvemos soluções inovadoras que aumentam a eficiência dos processos, sinto que estou a contribuir para algo maior. Essa combinação de crescimento pessoal e impacto positivo na produtividade da empresa é o que me impulsiona a avançar e a encarar novos desafios com entusiasmo.

Se não tivesse seguido esta área, que outra teria seguido?

Provavelmente teria seguido algo associado às tecnologias da saúde. Sempre tive um fascínio pelas inovações que podem melhorar a qualidade de vida, e a interseção entre tecnologia e saúde parece-me um desafio interessante repleto de oportunidades. 

Este artigo faz parte da celebração dos 25 Anos da P-BIO.
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P-BIO

11 de dezembro de 2025

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